UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
CONEXÕES DE SABERES: DIÁLOGOS ENTRE A UNIVERSIDADE E AS COMUNIDADES
POPULARES articulado com o PROGRAMA ESCOLA ABERTA
"Como conceber uma oficina, definir seu conteúdo e avaliar seu resultado?"
Profª. Marilís Lemos de Almeida - IFCH / UFRGS
PROJETOS SOCIAIS
ETAPAS PARA ORGANIZAR UMA OFICINA:
FASE I – Atividades prévias à oficina
- Momento de elaboração da oficina, durante o qual é feito o planejamento da mesma.
FASE II – Atividades durante a oficina
- Trata-se do desenvolvimento da oficina, junto com os participantes da mesma, aqui o conteúdo é
tratado por meio de estratégia diversas, tais com dinâmicas.
FASE III – Atividades posteriores à oficina
- Realização da avaliação do trabalho realizado e elaboração de relatório.
“Os projetos sociais nascem do desejo de
mudar uma realidade. Os projetos são
pontes entre o desejo e a realidade. São
ações estruturadas e intencionais, de um
grupo ou organização social, que partem
da reflexão e do diagnóstico sobre uma
determinada problemática e buscam
contribuir, em alguma medida, para ‘um
outro mundo possível’”.(Stephanou)
- Projetos sociais não resolvem problemas
sociais, mas podem contribuir para enfrentá-los
ao:
i) Trazer certas questões para o conhecimento e
debate público;
ii) Fortalecer organizações comunitárias;
iii) Aumentar sua participação na vida social e
política;
iv) Ajudar na recuperação da auto-estima e
dignidade por parte de setores excluídos;
v) Contribuir para a defesa ou conquista de
direitos sociais.
FASE I – ATIVIDADES PRÉVIAS À OFICINA
Momento de elaboração da oficina,
durante o qual é feito o planejamento da mesma.
Por onde começar?
- 1º Identificar uma situação-problema
- 2º Estabelecer para quem a oficina é destinada
- 3º Definir o conteúdo da oficina
- 4º Planejar a gestão da oficina
- 5º Elaboração de um plano de atividades
1º Identificar uma situação-problema
- Identificar as situações-problema ou desafios que expressam a problemática social existente
na comunidade em que está atuando;
- Hierarquizar estas situações/desafios numa cadeia de causa e efeito, na qual devem ser
identificadas: as causas diretas; o problema central; as conseqüências diretas.
- Identificação do problema central: identificar uma problema central, o qual é a chave para
mudar a situação problemática, mas que deve ser, ao mesmo tempo, passível de ser
modificado pelas ações do projeto;
- Identificação das causas e dinâmicas sócio-culturais que explicam esta situação-problema;
- Identificação das conseqüências para as pessoas e para a comunidade e quais os segmentos
que são afetados direta e indiretamente pela situação identificada.
“Atenção: A identificação da situação-problema
requer um diagnóstico prévio!”
Um DIAGNÓSTICO é necessário para elaborar o projeto, ou seja, para definir objetivos,
estratégias, resultados e atividades. O diagnóstico deve propiciar:
- Levantamento de informações sobre as condições de vida dos beneficiários -> esta situação
inicial será utilizada posteriormente para avaliar os resultados obtidos pela ação;
- Levantamento da bibliografia relevante sobre o tema, tanto trabalhos teóricos, quanto relato de
experiências similares.
“Atenção: Converse com o seu interlocutor na Escola!
Se não puder ir até lá, use e-mail ou telefone!”
2º Estabelecer para quem a oficina é destinada
- Definir o perfil do participante ajudará a organizar o formato, o conteúdo e os resultados
esperados;
- A identificação da situação-problema, o diagnóstico e uma conversa como o seu interlocutor na
Escola lhe ajudarão a definir quem será o público;
- Defina com antecedência o seu público e pense na organização de inscrições, que será uma
oportunidade para obter mais informações sobre os participantes e sua expectativas.
“Não esqueça: Públicos muito heterogêneos dificultam a escolha de dinâmicas
específicas e podem requer graus diferenciados de aprofundamento do tema”
3º Definir o conteúdo da oficina
I – Definir:
- Objetivos gerais
- Objetivos específicos
- Resultados esperados
II - Escolher conteúdos e atividades que permitam atingir os objetivos estabelecidos.
Atenção: eles devem ser apropriados para o grupo!
III - Planejar as atividades da oficina, definindo os materiais de apoio (textos, vídeos) que serão
utilizados e as estratégias (simulações, apresentações, discussões, relatos, etc.).
Objetivos & Resultados
Objetivos:
• O objetivo geral está ligado a uma idéia ou proposta de transformação mais ampla, é o que
move a realização da Oficina;
• Os objetivos específicos são de caráter mais operacional e apontam para os resultados
concretos do projeto.
• Os objetivos específicos podem ser alcançados ao término da Oficina.
• Os objetivos específicos estão ligados às ações e aos resultados que se espera que o projeto
atinja.
Resultados esperados:
• Que produtos ou situações concretas serão produzidas com a Oficina, a partir da realização da
sua realização.
Aos objetivos específicos da Oficina devem corresponder um pequeno número de resultados
esperados, que podem ser de curto ou médio prazo.
4º Planejar a gestão da oficina
O que deve ser verificado e planejado com antecedência:
- Procedimento para inscrição e elaboração de ficha para a inscrição
- Duração da atividade, datas e horário de início e fim;
Espaço físico disponível:
- seleção e reserva de um local para a oficina;
- organização do espaço físico no dia da oficina
Recursos necessários :
- Relacionar materiais necessários (tesoura, cola, papéis, etc.)
- Preparação e organização dos recursos e materiais para distribuição
Definir tempos de duração de cada atividade e responsável pela condução (entre a dupla)
5º Elaboração de um plano de atividades
- Capa;
- Identificação da Escola e da Dupla;
- Contexto da comunidade e Situação-problema identificada;
- Ação proposta (Oficina) ;
- Objetivos gerais e específicos;
- Público-beneficiário;
- Metodologia de desenvolvimento da ação proposta (duração total e atividades);
- Resultados esperados;
- Procedimentos /estratégias de avaliação da atividade.
FASE II – ATIVIDADES DURANTE A OFICINA
“Trata-se da estrutura da Oficina, cujo conteúdo é trabalhado
por meio de estratégia diversas, tais com dinâmicas.”
Estrutura de Oficinas:
1 – Apresentação
2 – Atividade Principal
3 – Fechamento da Atividade
4 – Encerramento da Atividade
1 – Apresentação
- Saudações iniciais: os monitores se apresentam aos participantes e organizam uma atividade
na qual os participantes se apresentam;
- Conversar com os participantes, identificando suas expectativas em relação à Atividade
- Apresentar as atividades da oficina ;
- Informar horário de início e fim, intervalos, etc.;
- Tornar claro o objetivo da Atividade e os resultados esperados (pode afixar no local).
2 – Atividade Principal
- Para desenvolver o conteúdo pretendido é importante ter planejado anteriormente a
forma como as questões serão abordadas.
- Ponto de partida: expor os objetivos gerais da Oficina e específicos da atividade que será
desenvolvida
- Os conceitos centrais poderão ser trabalhados diretamente por meio de uma apresentação
feita pelos monitores, ou podem ser construídos pelos participantes a partir de subsídios
fornecidos pelos monitores (textos, fotos e outros materiais);
- Se a atividade proposta envolve a realização de tarefas, estabeleça o tempo e a forma de
apresentação dos resultados (relato oral, relato escrito, cartazes, encenações, etc.)
- Verifique se há dúvidas ou algum outro tipo de dificuldade em relação ao formato de atividade
proposto.
- Durante a atividade a dupla de monitores deve atender os participantes esclarecendo dúvidas,
acompanhando os grupos, controlando o tempo, observando os participantes e as dificuldades.
- Garanta sempre a oportunidade para que todos participem, expressando suas opiniões.
3 – Fechamento da Atividade
- O objetivo é sistematizar e compartilhar as conclusões obtidas pelos participantes (quando a
atividade foi realizada em grupo menores);
- A forma de apresentação deve ser definida previamente e já deve ter sido informada no início da
Atividade;
- Após reunir todas as contribuições os monitores devem auxiliar na identificação de aspectos
similares e convergentes ou divergentes;
- Relacionar com os conceitos considerados centrais, resgatando os mesmos;
- Estabelecer relações com os objetivos da Oficina e com os Resultados Esperados.
4 – Encerramento da Atividade
- Feedback – avaliação da atividade pelos participantes e monitores em relação aos objetivos
estabelecidos;
- Identificar questões pendentes que podem ser trabalhadas em uma eventual 2ª Oficina;
- Estabelecer uma conexão com a sessão seguinte (quando houver uma 2ª Oficina prevista com o
mesmo público);
- Agradecimentos.
EXEMPLOS DE ATIVIDADES
1. Discussões em grupo
- Possibilita que todos expressem suas opiniões e troquem informações;
- Para pessoas tímidas pode ser difícil falar diante do grupo, especialmente se ainda no início da
atividade quando o entrosamento é menor.
2. Pequenos grupos
- Facilita a troca de opiniões e a exposição das idéias, tornando mais fácil a tarefa para as
pessoas tímidas;
- A dificuldade é que os grupos devem ser monitorados para que mantenham o foco;
objeto a ser discutido deve ser claramente informado, inclusive por escrito, assim como o tempo
previsto;
- Exige um momento seguinte no qual estas discussões são compartilhadas com os demais
participantes.
3. Debates
- Objetivo é fazer com que os participantes expressem suas perspectivas, é uma excelente
forma de aprendizado;
- Dificuldade na condução do debate – os monitores devem fazer resumos periódicos dos
aspectos já debatido, cuidar para que o foco seja mantido e evitar que uma ou duas pessoas
monopolize o debate.
4. Dramatização
- O objetivo é que os participantes expressem sua idéias de maneira divertida. Favorece grupo
que não possui elevada habilidade discursiva;
- É adequado para alguns perfis de público, pois muitas pessoas ficam intimidadas.
5. Painéis curto (10 min.) sobre o tema
- Objetivo é apresentar informações como subsídio;
- Cuidar para não ficar cansativo ou técnico demais.
- Deve ser seguido por uma atividade que propicie oportunidade de reflexão.
6. Vídeos
- Objetivo pode ser informativo ou sensibilizar para uma questão que será debatida;
- Difícil conseguir um vídeo curto e adequado ao tema abordado.
7. Retroprojetor
- Objetivo é apresentar informações de forma sintética. Cuidar com o volume de informações e
formato (fonte).
TIPOS DE DINÂMICAS
Dinâmicas de Apresentação:
- Objetivo: entrosar participantes e monitores, reduzir a tensão e a timidez decorrente de uma
situação desconhecida
- Ideal para o início da Atividade
Dinâmicas de Descontração:
- Objetivo: evitar a monotonia e romper tensões decorrentes de conflitos expostos;
Dinâmicas de Aplicação:
- Objetivo: trabalhar o conteúdo
- Exemplos: elaboração de cartazes sobre o tema; dramatizações; elaboração de músicas ou textos
que expressem o aprendizado do grupo.
Dinâmicas de Avaliação:
- Objetivo: auxiliar o processo de avaliação da Atividade.
- Ideal para o fim da Atividade;
- Identificação ponto forte e fracos e expectativas não atendidas.
FASE III – ATIVIDADES POSTERIORES À OFICINA
“Realização da avaliação do trabalho realizado e elaboração de relatório.”
Avaliação pelos participantes do trabalho realizado
Objetivo: verificar se os objetivos foram cumpridos, se os resultados esperados foram atingidos e se
os participantes gostaram. Pode ser feito:
- Em grupo
- Respostas às perguntas que são colocas previamente ao longo da sala
- Questionário de avaliação
O que mais pode ser avaliado:
- As atividades propostas e dinâmicas;
- O que os participantes consideram que foi o aprendizado mais significativo
- Que dúvidas ou perguntas permanecem.
Elaboração de relatório
- Logo após o final da Atividade faça um registro detalhado de tudo o que foi realizado;
- Se possível tire fotos da Atividade;
- Organize um registro das avaliações feitas pelos participantes sobre a Atividade;
- Estes registros ajudarão na elaboração do relatório final.
MATERIAL DE APOIO
I – Roteiro para auxiliar na preparação das Atividades
Objetivos e Resultados Esperados
Iniciar o planejamento retomando os objetivos: O que queremos com esta atividade?
Lembrar o ponto de chegada pretendido: Ao final da Oficina o que esperamos que os participantes
saibam ou dominem?
Introdução
Como é possível iniciar a abordagem do assunto / questão tratada resgatando, se possível,
experiências pessoais ou fazendo ligação com a realidade dos participantes.
Conceitos Fundamentais
Quais conceitos ajudam a entender o assunto / questão tratada. Como podemos trabalhar estes
conceitos com os participantes?
Conteúdo
De que forma será organizada a seqüência de atividades propostas? Quais tópicos serão
abordados?
Estratégias para condução da atividade
Utilizaremos dinâmicas? Quais as mais adequadas para cada tipo de atividade e momento da
Oficina.
Resumo
Como faremos o fechamento da atividade? Quais pontos devemos assegurar que sejam retomados
no encerramento? Como sistematizar as contribuições dos participantes?
Tempo
Que tempo dedicaremos para cada fase da Oficina (boas vindas, apresentação, atividade central,
resumo, encerramento).
II – Exemplo de Quadro sintético para organização da Oficina
III - REGISTRO DE ATIVIDADES
I - Identificação:
Nome dos monitores:
Nome da Escola:
Data da Atividade:
Horário da Atividade: (início e fim)
II – Atividade
Nome da Atividade:
Descrição assunto abordado: (máximo de 500 palavras)
Objetivos:
Resultados Esperados:
Método: (descreva em etapas, seqüenciais e numeradas, as atividades realizadas)
Materiais Utilizados: (textos, jornais, vídeos, etc.)
Público / Participantes (número e perfil)
III - Avaliação
Avaliação dos participantes: (indicar procedimento e resultado)
Avaliação dos monitores:
Observações: (imprevistos, dificuldades e sugestões)
Encerramento
Fechamento
Atividade Central
Apresentação
Conteúdo Tópicos Abordados Tempo Responsável Materiais
BIBLIOGRAFIA:
ARMANI, Domingos. Como elaborar projetos? Porto Alegre, Tomo Editorial, 2002.
HONSBERGER, Janet e George, Linda. Facilitando oficinas: da teoria à prática.Treinamentos de
Capacitadores do Projeto Gets - United Way do Canadá.
LIRA, Nilsa e Paz, Sandra. Técnicas de dinâmicas de grupo e perfil do profissional de grupos.
Movimento Tortura Nunca Mais. Recife, 2001.
STEPHANOU, MÜLLER E CARVALHO. Guia para elaboração de projetos sociais. São Leopoldo,
Sinodal, 2003.
TAVARES, Celma e Lira, Nilsa. (org.) Construindo uma cultura de paz. Movimento Tortura Nunca
Mais. Recife, 2001.
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